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Perfil da Geração Digital e a Educação a Distancia

Geração Digital

Hoje traremos algumas reflexões sobre o Perfil da atual Geração Digital, buscando entender o seu comportamento, formas de ação, suas motivações, como interagem entre si e notadamente como desenvolvem seu processo de aprendizagem.

O conflito de gerações nunca foi nenhuma novidade, em qualquer cultura. Mas esta geração traz consigo uma característica que a diferencia das demais: é a única geração que inverte o processo educacional, ou seja, são as crianças que ensinam o manuseio da tecnologia a seus pais e a muitos professores também que ainda estão sob a influência analógica!
Programar um celular, instalar programas em computadores, navegar na Internet, descarregar músicas mp3, fotos digitais, tratamento de imagens, para essas crianças digitais nada disso é mistério. Pelo contrário, um divertimento que lhes causa muito prazer!

Autênticos cibernautas, esta geração apresenta um perfil cognitivo e comportamental muito característico que a distingue das demais gerações.
A Editora Artmed acaba de publicar interessante livro, Homo Zappiens Educando na Era Digital, autoria de Wim Vem e Bem Vraking, tradução de Vinícius Figueira, Consultoria, Supervisão e Revisão Técnica: Régis Tractenberg.

Assim se expressam seus autores em “Porque você deve ler este livro?”
“Este livro nos traz uma visão sobre a geração que nasceu com um mouse nas mãos. O livro fala de crianças que descobriram o mundo por meio de uma variedade de canais de televisão, jogos de computador, iPods, sites, blogs, telefones celulares, e explora o comportamento delas para a aprendizagem.”

O que é o Homo Zappiens e como ele se comporta?

Homo Zappiens

“Esta geração, que aprendeu a lidar com novas tecnologias, está ingressando em nosso sistema educacional. Tais recursos tecnológicos permitiram às crianças de hoje ter controle sobre o fluxo e sobrecarga de informações descontinuadas, mesclar comunidades virtuais e reais, comunicarem-se e colaborarem em rede, de acordo com suas necessidades. Aprende por meio do brincar e das atividades de investigação e descoberta relacionadas ao brincar.”

E os autores alertam:

“Na educação tradicional, a aprendizagem estava fortemente relacionada ao conteúdo disciplinar, que derivava disciplinas, um conhecimento objetivo que podia ser transferido para os alunos. O problema é que as escolas ainda tentam transferir o conhecimento como se fazia há 100 anos!”
“Houve uma espécie de ruptura com a chegada do homo zappiens nas escolas, um rompimento com a tradição que pode representar uma séria ameaça ao sistema educacional e também um desafio, pelo fato de o ensino se tornar algo mais empolgante.”

Os autores também ressaltam:

“Os pais também estão preocupados observando seus filhos passarem o tempo em casa entre o computador e a televisão. Pedem aos filhos que saiam e brinquem na rua, que encontrem seus amigos e pratiquem esportes.

Pensam que a tecnologia traz limitações físicas e um empobrecimento do convívio social. Que os livros não interessam mais seus filhos, que preferem jogos do computador, inclusive aqueles violentos, em que parece não haver limites para os padrões morais.”

É isso aí, caros amigos, estamos – de fato -, convivendo com uma geração sob o fascínio da tecnologia, chegando mesmo até a demonstrar evidências de dependência pelos ingênuos aparelhinhos… celular, notebooks, iPods, mp3, mp4, pen drives e, não duvidamos, que muuuuuitos adultos também já estejam contaminados pela mosquinha tecnológica!

O que mais diferencia a geração digital da geração analógica é a forma como pesquisa, processa e conclui as informações, uma forma perceptiva não-linear e ao mesmo tempo complexa, sem dificuldades para lidar com o caos, interagindo com múltiplas tarefas simultaneamente, acessando igualmente vários canais de informação ao mesmo tempo, o que não deixa de ser uma habilidade valiosa!

geração analógica

O comportamento linear da geração analógica, de fazer as coisas passo-a-passo, que desenvolveram o hábito de pesquisarem exclusivamente textos de cima para baixo, da esquerda para a direita, página por página, respeitando o começo-meio e fim… agora recebe novos desafios da geração digital.

Agora a tela de um computador, tudo colorido, enriquecido com ícones, janelas, hipertextos, fotos, filmes, ilustrações, ícones, sons, textos curtos e concisos, possibilidades de links e janelas para múltiplas prospecções e pesquisas, um olhar aparentemente aleatório conduz rapidamente o internauta às informações que necessita, em movimentos céleres onde o mouse é um instrumento central para o clique de navegação virtual, e com níveis de atenção altamente diversificados.

E como dizem os autores do livro Homo Zappiens – Educando na Era digital:
“Imagine, então, uma criança que vem para uma sala de aula onde o professor é a única fonte de informação! Da perspectiva da criança, essa sala de aula é um ambiente em que as informações são extremamente pobres. Só há uma fonte de informação a ouvir e, além disso, é de caráter obrigatório!

A criança não está no controle da informação, condição natural do homo zappiens. Isto porque elas gostam de desafios, em tarefas e situações em que não se sabe por onde começar e nem agir. Gostam de aprendizagem experimental, como a dos jogos do computador.”

Meus amigos, trazendo essas reflexões para o campo da Educação a Distância, não escondo meu otimismo, visto tratar-se de uma abordagem pedagógica e comunicacional que é mediada pela tecnologia e pelo pensamento complexo, que exigem dos Professores dessa modalidade de Ensino e Aprendizagem uma atitude igualmente diferenciada.

Certamente a geração digital terá amplas possibilidades de aprendizagem e contribuição na construção do conhecimento e competências, porque é uma geração que já vive nesse ambiente, que privilegia o regime colaborativo porque também traz consigo uma vivência fértil das comunidades virtuais, redes sociais, equipes, lideranças, que consagram uma coletividade voltada para o enfrentamento de desafios e busca de objetivos em regime de co-autoria.

É isso aí, meus amigos!