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Entendendo as Taxas de Juros – Definição

Taxas de Juros

Os juros correspondem ao custo do dinheiro no tempo, tal como uma espécie de aluguel. Em outras palavras, se alguém abre mão de usar um imóvel para alugá-lo, está deixando de usar do imóvel em favor de uma terceira pessoa. Como forma de contrapartida, essa terceira pessoa paga uma compensação por isso, que é o aluguel. Em relação ao dinheiro, vale a mesma lógica: quando alguém deixa de usar seus recursos, emprestando-os a outra pessoa, faz jus a uma compensação por isso, esse aluguel, que recebe a nomenclatura de juros.

Assim, quando se trata de operações que envolvem dinheiro, o tema ”juros” tem a maior importância. Tanto para quem está investindo como para quem está assumindo dívidas, este é um fator da maior importância a ser observado. Inclusive, como mencionei em meu livro Guia do Pequeno Investidor,¨a força das taxas de juros não deve jamais ser desprezada. Ela pode trazer grandes benefícios, se usada a nosso favor nos investimentos, porém pode ser fatal se norteia nossas dívidas¨.

Para quem investe em produtos de renda fixa, a obtenção dos juros está diretamente relacionada com o risco do investimento. Ou seja,investimentos mais arriscados tendem a oferecer juros maiores, enquanto investimentos menos arriscados oferecem juros menores.

renda fixa

Por outro lado, para quem está assumindo dívidas, o montante de juros a ser pago estará diretamente relacionado ao risco que o cliente representa para o credor. Logo, quanto melhor o histórico de crédito do cliente, e quanto mais garantias o negócio envolver, menores serão os juros cobrados. É por essa razão que as linhas de crédito com juros mais baixos são aquelas que estão vinculadas a garantias consistentes. É o caso, por exemplo, do financiamento imobiliário. Como a garantia de pagamento da dívida é o imóvel financiado, o banco corre menos risco, pois sabe que em caso de inadimplência,poderá vender o imóvel para receber de volta o valor emprestado. Por esse motivo, pode cobrar taxas menores. A mesma lógica se aplica ao crédito consignado concedido a aposentados. Como nesse caso o banco pode descontar o valor da dívida diretamente do valor da aposentadoria, tem uma garantia de recebimento consistente que permite cobrar taxas menores.

Em sentido oposto, temos a figura do empréstimo pessoal, que é um valor entregue ao cliente, mas que não está vinculado a uma garantia específica. Por isso, em caso de inadimplência, o banco terá maiores dificuldades de recebimento. Por tal motivo, cobra uma taxa de juros maior,frente ao risco. Também aqui podemos citar os casos extremos, que são o cheque especial e o rotativo do cartão de crédito. Esses dois são linhas de crédito emergenciais, normalmente tomadas para cobrir uma despesa urgente e inesperada,sem maior planejamento prévio, e também não contam com garantias específicas.Por essas razões, são as linhas mais arriscadas para os bancos, motivo pela qual são elas as que cobram as taxas de juros mais elevadas.

Ressalte-se que tanto investimento a juros como dívidas podem ser remunerados por juros prefixados ou pós-fixados. Os juros prefixados são aqueles em que, desde o início do negócio, já se sabe o valor que será recebido (em caso de investimento) ou pago (em caso de dívida) a título de juros, de modo a remuneração é fixa e estável. É o caso de um financiamento de veículo com taxa de juros fixa de 2% ao mês. Nesse caso, a remuneração dos juros foi preestabelecida e não se alterará mais até o final do contrato.

Já os juros pós-fixados são aqueles que serão acrescidos de correção monetária para compensar a inflação do período. Nesse caso, existe uma maior incerteza em relação ao valor efetivo que será pago (no caso de dívidas)ou recebido (no caso de investimentos), pois esse fator dependerá do comportamento da inflação. Um exemplo é a caderneta de poupança, que paga um montante de juros acrescido de correção monetária (a TR – Taxa Referencial). Assim, a rentabilidade efetiva da poupança só pode ser avaliada a cada mês,quando se sabe quanto foi a variação da TR. O mesmo vale para a maioria dos financiamentos imobiliários. O valor efetivo que será pago pelas parcelas do financiamento corresponde à taxa de juros contratada mais o acréscimo da correção monetária, logo o valor da parcela muda continuamente, de acordo com o comportamento da inflação.

juros pós-fixados

Para concluir esse primeiro texto, cabe ressaltar que não se pode confundir juros com correção monetária. Enquanto os juros representam a remuneração pelo empréstimo do dinheiro (é rendimento, ou seja, ganho do credor), a correção monetária representa uma compensação pela desvalorização causada pela inflação, é apenas uma reposição de perdas inflacionárias.

Juros Nominais e Juros Reais

Outro conceito aplicável aos juros é o de ”juros nominais” e os  “juros reais”

Os juros nominais correspondem a uma taxa definitiva de juros, independente de outros fatores externos. A título de exemplo, é como se um investimento oferecesse um rendimento fixo de 10% ao ano. Se eu aplico R$1.000,00 nesse investimento, que é prefixado e oferece uma taxa nominal de juros de 10%, sei com antecedência que terei, ao final do período, um total de R$ 1.100,00. Portanto, nominalmente, tive um rendimento de 10% sobre o meu dinheiro investido. Ocorre que, para saber quanto foi a minha rentabilidade real e verdadeira, é necessário que se desconte, desse percentual, a inflação do período.

Logo, os juros reais representam um rendimento efetivo, não corroído pela inflação. Usando novamente do exemplo acima, seriam juros reais aqueles que representam a diferença entre os juros nominais e a taxa de inflação.

juros reais

Portanto, para saber a rentabilidade real, é necessário comparar a taxa nominal (10%) com a inflação. Se a inflação durante o ano foi de 6%, então o juro real do investimento foi de 4% (rendimento nominal – inflação). Por outro lado, se a inflação for de 12% no ano, então o investimento teria gerado retorno negativo, pois a remuneração paga não foi suficiente sequer para repor as perdas inflacionárias.

Assim, podemos dizer que os juros nominais embutem uma expectativa de rendimento e de reposição inflacionária, enquanto os juros reais representam a taxa de rendimento efetivo isolada.

Deste modo, quando se faz um investimento ou contrai uma dívida a taxa de juros prefixada, é preciso considerar que nessa taxa já estão embutidos tanto o rendimento pretendido quanto a reposição inflacionária.

Por outro lado, quando se opera com taxas pós-fixadas, os juros pagos correspondem somente ao rendimento, pois a compensação da inflação será remunerada à parte.